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Usar óculos

Tem quem ache que usar óculos é muito chato. Tem quem ache feio, quem ache charmoso, quem goste, quem não goste. Graças a Deus é assim e cada um pode achar o que quiser.

De acordo com uma pesquisa de 2018, 45 milhões de brasileiros precisam usar óculos e não sabem. É um número assustador, que vai de encontro ao fato de 85% dos municípios nacionais não terem oftalmologista.

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Sem oftalmologista não há como saber que a diferença entre ver bem e ver mal pode estar atrás das lentes de um par de óculos. Tem inclusive quem sempre viu mal e imagina que ver é assim mesmo, que há sempre um borrão ou as coisas aparecem fora de foco, de perto ou de longe.

Eu descobri que precisava de óculos com pouco mais de 18 anos, quando percebei que, dirigindo de noite, eu não tinha muita noção de profundidade.

Até aí eu tinha ido ao oculista, como crianças de 60 anos atrás iam. Sabia que era míope, mas o grau era muito baixo, então não usava óculos.

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Quando descobri que de noite eu não calculava muito bem a distância da traseira do caminhão na minha frente, me pareceu a hora certa de começar a usá-los. Mas era só de noite e para dirigir.

Na sequência, quando fui para a equipe de tiro da Artilharia do CPOR de São Paulo, percebi que com óculos os alvos ficavam mais nítidos e assim, para atirar, eu também passei a usar óculos.

Os óculos constantes vieram na Alemanha. Foi lá que descobri que usar óculos o dia inteiro era mais inteligente.

Faz 40 anos que eu uso óculos constantemente. Nunca quis operar, não me adaptei às lentes de contato ou aos óculos multifocais. Meus óculos são os mais simples. Mas tudo que eu quero, passado este tempo todo, é homenagear o inventor dos óculos. Graças a ele o mundo ficou muito mais interessante para milhões de pessoas.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.