Pressione enter para ver os resultados ou esc para cancelar.

Por que só no Butantã?

É ótimo ver que São Paulo gosta de praticar esportes e que agora temos corridas e provas de todos os tipos quase todos os fins de semana.

Onde a coisa pega é que, por alguma razão que eu ainda não entendi, a maioria dessas provas acontece, passa ou interfere na região do Butantã.

E essa interferência significa praticamente impossibilitar quem mora no pedaço de chegar ou sair de casa. Inclusive se precisar ir para um hospital.

Faz tempo que temos a ciclofaixa, que é um transtorno para quem quer chegar ou sair do bairro. Mas tudo bem, ela está lá, os moradores já descobriram o caminho das pedras e, com jeito, você entra ou sai e consegue contar para seus amigos como fazer para chegar ou sair, às vezes passando por uma blitz com bafômetro na Avenida Afrânio Peixoto.

Leia também: A violência retorna ao Butantã

A ciclofaixa é uma realidade, em certo sentido, sem sentido, porque boa parte do percurso ao longo das Avenidas Lineu Paula Machado e Afrânio Peixoto tem a ciclovia, o que, em teoria, deveria ser suficiente.

Afinal, para que ter uma ciclofaixa temporária, montada apenas aos domingos, ao lado de uma ciclovia definitiva?

Mas o drama dos moradores não é ciclofaixa, nem a ciclovia. O nó pega nas competições de todos os tipos que fecham as ruas do bairro na entrada, no meio e na saída.

Leia também: É bonito ver as árvores da USP

Será que não tem ninguém minimamente competente para desenhar um traçado que permita ao menos chegar e sair?

Pode ser que a resposta seja muito mais simples e se resuma a que os promotores dos eventos politicamente corretos não sejam tão politicamente corretos e queiram que os moradores do Butantã se danem.

Seria interessante a Prefeitura verificar melhor os traçados. Afinal, está prejudicando milhares de pessoas que pagam IPTU salgado.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.