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Quem foi Wendell Wilkie

Quanto mais eu vivo, mais me convenço da sabedoria de meu pai.

Quando ele perguntava quantas vezes por dia alguém se lembrava de Quéops, a ironia explicita na pergunta mostrava seu conhecimento do mundo e das vaidades e fraquezas humanas.

Todos querem a glória eterna. Ser imortalizado, se possível com áurea de santo ou mito de deus.

Mas se até os deuses morrem e são esquecidos! Dúvida? Quantas vezes por dia você invoca o grande deus Pã? E Baal, Artemis, ou Apolo, eles são parte da sua rotina, trazendo alegria, a vingança o dia e a noite? Com certeza, não… Quando muito surgem num livro, ou num filme.

A mesma coisa acontece com os homens. Quem diria que o candidato derrotado por Franklin Roosevelt na eleição presidencial americana de 1940 se transformaria numa simpática praça de bairro da Cia. City, na cidade de São Paulo?

Durante muitos anos, quem sabe pela proximidade das praças e pelos nomes estrangeiros, achei que Wendell Wilkie fosse algum companheiro de Charles Miller. O primeiro goleiro do seu time, ou o centroavante do time que jogava contra ele. Algo assim, ligado ao começo do futebol brasileiro.

Mas eu estava completamente enganado. E não fosse ler um livro que tratava do terceiro mandato do presidente Roosevelt, eu jamais descobriria que Wendell Wilkie foi um advogado, lançado pelo Partido Republicano para concorrer contra ele.

Coisas da vida e do andar das cidades. Hoje falo muito mais em Wendell Wilkie que em Roosevelt, que foi quem ganhou a eleição.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.