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Olha o trem

Locomotiva Maria Fumaça é o retrato da nostalgia. Da saudade que a maioria nunca sentiu, mas que bate constante dentro do peito.

Quando eu era jovem, íamos para a fazenda em Louveira de trem. Podia ser o Pullman ou a Litorina. Embarcávamos na estação da Luz e pouco mais de uma hora depois, descíamos na estação de Louveira, que, na época, era quase que maior que toda a cidade.

Para quem está espantado, naquela época, até a Estrada de Rodagem, que nós chamávamos “O Estradão”, mas que de verdade era a antiga estrada São Paulo-Campinas, no então submunicípio de Louveira, era de terra.

O telefone era de magneto, o número da fazenda era Louveira 7, mas os trens, estes já eram elétricos ou a diesel.

As locomotivas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro eram impressionantes, azuis e prateadas, com o único farol, imenso, bem no meio da cara arredondada, ou se quiserem, no seu nariz.

Também tinha as locomotivas a diesel, vermelhas e amarelas, que puxavam os trens de carga.

As Maria Fumaças, quarenta anos atrás, já eram velhas e estavam aposentadas, pelo menos nas linhas principais das grande ferrovias paulistas.

Mas elas têm algo de poético. De reencontro com o tempo que todos nós temos dentro do peito e que apesar de nunca ter sido vivido, é real como o sol, ou como a chuva.

Por isso os passeios de trem puxados por locomotivas Maria Fumaça têm tudo para ser um sucesso. Dentro deles, o sonho e a fantasia apagam o feio e o triste da vida. Rir passa a ser fácil. E ser feliz também.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.