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A cidade e seus movimentos

Quando você imagina que o rumo é para lá, São Paulo te engana. É para cá, também.

Mais ou menos, sempre foi assim. Desde o começo, no século 16, o planalto foi ocupado sem muita regra e nenhum planejamento, quem sabe com exceção do colégio dos jesuítas, colocado no alto da colina e cercado por três rios para se defender melhor.

Em volta do pequeno núcleo, Santo Amaro, Embu, Pinheiros, São Miguel, todos postos avançados, cada um de um lado, plotando no chão do planalto a realidade de 400 anos depois.

De lá pra cá, de cá pra lá, a cidade se meche permanentemente. Bairros nascem, crescem se valorizam e saem de moda, desbancados por outra região que ninguém conhecia até ontem, mas hoje é o chique, a bola da vez.

A Berrini já está ficando velha. A Vila Olímpia, logo ali, quase ao lado, ergue prédios ultramodernos, com a indiferença de quem sabe que é mais.

A Juscelino também não perdoa. E entra no jogo com torres de derrubar o queixo. Ricas, fartas, altas, cheirando a dinheiro grosso.
E quando menos se espera, eis que. Eis que a cidade muda de rumo, segue para o oeste, toma de assalto a região da igreja da Cruz Torta, cerca o horizonte do Colégio Santa Cruz, e vai mais longe, na rota do parque do Povo.

Faz que para, mas segue em frente. Jaguaré a fora, ataca o CEASA, sobe pelo fundo da Lapa, faz a curva e volta, atravessa o rio e junta com o fundo do Butantã e com Osasco. Como diria minha avó: “qual será o final disso tudo?”

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.