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Vai ter, mas agora não tem

 

Tem gente que já está gastando por conta. As ruas se transformaram em palco e as pessoas andam com as máscaras no queixo, como se fosse lá que estivesse o buraco mágico por onde o vírus entra e faz a festa.

Não é, mas tanto faz, é como se fosse. Pra quê máscara se o Brasil já informou que assinou dois protocolos para garantir a vacina? Com vacina na mão, não precisa de máscara, estamos mais que protegidos e aí é sair pra galera, fazer festa, dançar funk e ir em jogo de futebol. Melhor que isso só se no começo da noite tiver uma cerveja gelada.

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Como tem, então fica tudo mais fácil, com um pequeno detalhe: se tem tudo, de cerveja gelada pra fora, ainda não tem a vacina, nem nada indicando que ela vai chegar logo e que dá pra gastar por conta.

Vai ter, mas agora não tem. Agora o vírus está solto, nadando de braçada, interior a dentro, como se o Brasil fosse seu campo de provas, onde ele experimenta novas formas de contágio e avanço da doença.

São Paulo assinou uma parceria com os chineses e o Brasil, uma parceria com os ingleses. Sem duvidar que os dois parceiros estão no caminho certo, entre estar no caminho e chegar no fim da jornada, a estrada pode ser longa e demorada.

Em algum momento, alguém sacará da cartola uma vacina economicamente viável e que funcione. Mas, de acordo com os especialistas, esse momento ainda não está tão próximo. Ainda tem chão antes da vacina entrar em cena e segurar o coronavírus.

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Mesmo que as informações do Ministério da Saúde estejam corretas e no final do ano o Brasil tenha uma vacina, as quantidades negociadas são insuficientes para as necessidades do país. Cem milhões de doses é menos da metade da população. Além disso, o fim do ano ainda está longe. Então, fique em casa! É mais inteligente que gastar por conta…

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.