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A pandemia foi pro saco

 

Não tem o que fazer, a pandemia foi pro saco. Grande parte dos brasileiros sabe que ela está aí, que sair de casa é tolice, que morrer continua sendo uma opção concreta, mas tanto faz! O povo está nas ruas como em época de campeonato de futebol, quando o Brasil era o melhor.

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Hoje, o Brasil mal e mal sabe que a bola é redonda, a imagem do país está completamente esgarçada, somos os bandidos do desmatamento, os responsáveis pelo descontrole da pandemia e, pela primeira vez na história, temos um indicado para cargo em organismo internacional visto com ressalvas pelos funcionários do órgão.

Em nenhum momento, desde o seu começo, o número de mortes pela covid19 atingiu o pico da última semana. E continua subindo. Não tem o que fazer. O problema não é só o número de mortes, mas a capacidade de atendimento da rede pública de saúde.

São Paulo deu show no controle do avanço da pandemia na Capital. Mesmo sendo o estado com mais pessoas infectadas no país, em nenhum momento faltou leito ou UTI para atender a população.

Será que é por que somos mais ricos? Também, mas não só por isso. Os Governos do Estado e da Capital jogaram duro e o isolamento se manteve tempo suficiente para manter o achatamento da curva da evolução da doença, permitindo que a rede de saúde desse conta do recado.

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Mas o vírus disparou interior a fora e aí a coisa é bem diferente. O interior está de férias em época de carnaval. As ruas estão lotadas. Parece que as pessoas pouco se importam com o que acontece em volta. É como se o brasileiro aceitasse a infeliz ideia do Presidente da República: “um dia vamos morrer, então tanto faz fazer alguma coisa.”

O trágico é que essa ideia apressa o processo e gente que não precisava morrer agora, infelizmente vai morrer.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.