Você e a cidade
A cidade é imensa, você é pequeno, mas é você que interage com ela, sem medo do seu tamanho. Ou com medo, mas não tem jeito, então é tocar em frente. Um dia depois do outro. Com todo seu assombro.
São Paulo assusta. Sua imensidão feita de barulhos contínuos de verdade reverbera o silêncio de milhões de almas com medo. Medo da chuva, da falta de chuva, da conta de luz, da conta de água, da conta do gás, de todas as contas que são parte da vida das pessoas e que somadas aos impostos fazem todos ficarem mais pobres.
São Paulo não para. Seu trânsito se arrasta e te arrasta para cantos que você nunca imaginou, para quebradas completamente desconhecidas onde você é jogado pelo aplicativo que sabe as rotas, mas não conhece os locais. Com sorte, você sai vivo dessa.
Pode acontecer de seu carro ser cercado e você assaltado, levam celular, carteira, cartões e a sua dignidade em frangalhos, que eles deixam caída no chão, enquanto você dá graças a Deus por ter sido só isso. Poderia ser pior.
Tudo pode piorar. O trânsito, os buracos, a chuva, a falta d’água, tudo pode piorar. Se ficar como está, está de bom tamanho. Não vamos ser exigentes, não adianta. Só irrita, não vai mudar nada.
Entre secos e molhados o carro por aplicativo informou que não vem. Não é problema dele se você está atrasado. Está muito trânsito e ele decidiu ir para casa. Você para ele é problema seu.
O por do sol é uma festa a parte. Faz esquecer o mau humor, o atraso, a conta que não fecha. O horizonte vermelho te fala de sonhos que você ainda não esqueceu, da esperança que segue viva e te faz sair da cama todos os dias de manhã cedo.
Força, São Paulo maltrata, mas, no fundo, te ama.
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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.