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No tempo dos Aero-Willys

Houve um tempo em que os Aero-Willys e os Simca Chambord dominavam as ruas brasileiras. Imponentes com seus motores impressionantes, eram o topo de linha da indústria automobilística nacional.

As ruas se curvavam à sua passagem e ano a ano se tornavam mais sofisticados, mais bem acabados, dentro de seu conceito de carros dos anos 1960, quase que caminhões mais ou menos adaptados.

As ruas, mesmo as de paralelepípedo, não eram tão esburacadas e os últimos bondes ainda cruzavam por algumas delas, como a Avenida Paulista, em direção da Avenida Dr. Arnaldo.

Os parceiros de ruas eram DKW’s, Fuscas, Fissores, Corcéis, Pumas, Brasincas e numa determinada época um mar de BUG’s de todos os jeitos, tendo em comum o motor Volkswagen refrigerado a ar instalado na traseira.

Depois vieram os Opalas , os Galaxies e os Dodges Dart, mas isso foi depois.

Nessa época os Aero-Willys imperavam, com suas linhas meio rabo-de-peixe, e com o modelo Itamaraty, luxuoso, carregando o estepe em destaque na tampa do porta-malas. Os Simcas não ficavam atrás. E depois do Chambord, veio o Tufão, mais poderoso, com um motor V8 que impressionava no ronco, mas deixava na mão na hora de fazer força.

Era uma época mais fácil, onde a vida pegava mais leve. As cidades ainda não eram tão grandes; e a violência era alguma coisa que existia, que às vezes pegava pesado, mas que não era a regra, o que permitia que as pessoas andassem pelas ruas, inclusive de noite, sem medo de serem assaltadas.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.