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Os entregadores de aplicativos

 

São Paulo não parou durante os primeiros meses da pandemia porque, entre secos e molhados, eles estavam nas ruas, com suas motos, bicicletas e patinetes, os caixotes nas costas, entregando, entregando, entregando…

Os entregadores de aplicativos são heróis tão importantes para a vida da cidade quanto os profissionais de saúde que, dentro dos hospitais, dão conta dos pacientes atingidos pelo coronavírus e por todas as outras doenças e acidentes que não tiraram férias porque a covid19 chegou.

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Sem os entregadores de aplicativos muito mais restaurantes teriam fechado as portas para sempre.

Supermercados e farmácias não atenderiam tantos clientes, lojas em geral não sobreviveriam.

A cidade deveria erguer uma estátua em homenagem a esses bravos cidadãos, que se dispõem diariamente a fazerem milhares de entregas, não porque seja divertido, mas porque é como conseguem o pão nosso de cada dia, como alimentam suas famílias, como dão conta da vida.

Dizer que ninguém quer ser entregador de aplicativo seria exagero. Há de ter os que fazem porque gostam, mas a maioria faz porque não tem outra coisa para fazer e viver é duro e custa caro.

Sem os aplicativos o número de desempregados seria muito maior. É verdade, mas a rudeza e brutalidade da vida dos entregadores de aplicativos não pode ser escondida por uma realidade dramática.

Eles trabalham dez, doze horas por dia, levando encomendas essenciais para milhares de pessoas. Será que o que eles ganham é suficiente? Será que justifica o esforço? Será que, no fim da jornada alucinada e alucinante, o preço está pago?

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Eles ganham pouco, mas você pode ajudar. Se garçom ganha gorjeta, por que os entregadores também não ganham? Ponha mais dez ou quinze reais na conta, premie quem faz sua vida ser mais fácil e mais segura.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.