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O retrato do Brasil

 

O apagão do Amapá é alguma coisa completamente surrealista. Não tem cabimento. É inconcebível. Jamais poderia ter acontecido e, no entanto, aconteceu.

Nem roteirista de filme C chinês conseguiria criar o cenário deprimente, dantesco, pela miséria envolvida, que se seguiu a uma simples queda de raio.

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O raio caiu, acertou um transformador que explodiu e ateou fogo num segundo, enquanto o terceiro estava em manutenção.

O colapso foi imediato. O apagão veio, viu e venceu. Em poucos minutos, daí pra frente, centenas de milhares de brasileiros começaram a pagar as penas do inferno, antecipando, eventualmente de forma indevida, um castigo que poderia não ter que acontecer.

Dizer que a culpa é deste governo seria exagero. Também é deste governo, mas os governos anteriores são tão culpados quanto o atual.

O Brasil tem Ministério das Minas e Energia, ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, mas ninguém se dá ao luxo de ver que a concessionária do serviço elétrico do Amapá não instalou ao menos uma rede de para-raios eficiente para proteger seus geradores.

Ninguém fiscalizou para verificar que a concessionária não tinha um sistema de redundância, capaz de manter o fornecimento de energia no caso de uma falha como a que aconteceu.

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O empurra-empurra está armado. Todos tentam passar a culpa para o outro. O federal diz que é estadual, que diz que é da concessionária, que diz que é do Espírito Santo, que só olha e não diz nada.

A carga tributária brasileira é das mais altas do mundo, mas o serviço oferecido é lamentável. O duro é que o Ministro da Fazenda quer criar mais impostos, sem dar nada, absolutamente nada, em troca.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.