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Psicologia de elevador

Elevadores são máquinas fantásticas. Há os do bem, os do mal e os indiferentes, que deveriam ser a maioria, mas ninguém tem certeza sobre isso.

De qualquer forma, não existe outro lugar melhor para se analisar o comportamento humano. E ele varia de forma impressionante, ainda mais quando a pessoa analisada descobre que você está olhando para ela.

Normalmente, as pessoas entram no elevador sem se cumprimentarem. Dentro, apertam o botão do andar, abaixam a cabeça e ficam olhando para o chão, ou disfarçam o mal estar de alguma outra forma. Tem o que olha para o relógio, o que mexe na pasta, o que lê a cotação do dólar na TV interna. E tem também os que ficam tão sem graça que puxam assunto com o companheiro mais próximo.

Eles falam do tempo. Aquele célebre: “puxa está quente hoje” ou “como choveu ontem de noite”. De corrida de automóvel: “você viu o treino da Fórmula 1 hoje de madrugada?”.

Detalhe o treino foi as 4 e meia da manhã e ele também não viu, porque estava no décimo sono.

Mas fica melhor ainda quando alguém viu e pergunta o que ele achou de tal ultrapassagem, ou do tempo de não sei que piloto.

A resposta é melancólica: “Essa parte eu não vi”.

Elevador assusta boa parte das pessoas. Não, como acontece com um amigo meu, porque tem medo do elevador cair, mas pela proximidade de outras pessoas, completamente desconhecidas e por isso mesmo, um risco para a integridade física.

Experimente. Entre no seu próximo elevador e diga um simpático e alto bom dia. Você vai se surpreender com o espanto dos passageiros.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.