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Atílio Smilari

[Crônica de 6 de outubro de 2005]

Atílio Smilari nasceu em São Paulo em 1916. Tinha 8 anos quando a revolução de 1924 estourou e sentiu na pele o que quer dizer um obus de canhão explodir dentro de casa, arrancando parte do telhado e ferindo gente próxima.

Ele morava na avenida Brigadeiro Luis Antonio, em frente da casa de meu bisavô e perto de mais um bando de nomes conhecidos, que também tinham suas casas no começo da avenida, na época uma zona residencial.

Fiquei sabendo disso tudo, contato por ele mesmo, que veio falar comigo por causa de uma crônica feita há tempos, onde eu falava da rua Jandaia, que é uma ladeira íngreme e estreita, por cima dos “Arcos dos Italianos” e que fica bem atrás da Brigadeiro Luis Antonio.

Minha avó morava lá, numa casa construída por seu pai, o senador Pádua Salles, num pedaço do imenso terreno de seu casarão, na frente do qual Atílio Smilari morava com sua família. É curioso como as coisas se encontram nas voltas que o mundo dá.

Eu nunca imaginei que conheceria um senhor que assistiu ao vivo a revolução de 1924 e que sentiu na pele o que é uma cidade ser bombardeada a tiros de canhão, como aconteceu então.

Segundo ele, a família estava em casa, dividida entre dois lugares diferentes. Num, seu pai, e, noutro, sua mãe, cada um com uma parte dos filhos. Quando a bomba explodiu, seu pai que estava na parte de fora da casa, disse: “essa foi perto”, sem perceber que o alvo tinha sido a sua própria sala.

A revolução de 24 foi quase que apagada da história. Por isso a conversa com Atílio Smilari me fascinou. 24 foi das poucas vezes que uma cidade brasileira foi bombardeada e civis morreram por causa da guerra.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.