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Ridículo

O que é ridículo neste mundo? É um conceito pessoal e intransferível e o que é ridículo para um pode não ser para outro. Daí toda uma série de discussões tão malucas como as que movem as torcidas dos times de futebol. Ridículo depende do ponto de vista, da boa-fé, do bom humor, de acreditar, de não acreditar, de aceitar o mundo com a cara que ele tem.

Um gesto pode ser ridículo e pode, ao mesmo tempo, ser o gesto mais bonito do mundo. No amor, quando as pessoas amam, não há ridículo, tudo é válido, tudo é normal, tudo é lindo. Mas quando o amor acaba uma parte linda das coisas que fizemos ficam ridículas e o ridículo cresce mais ainda quando visto a distância.

Às vezes, no momento exato em fazemos alguma coisa, temos certeza de que foi ridícula. É assim, e não tem o que fazer. Nós somos potencialmente ridículos e as formas e momentos que descobrimos isso são terríveis, porque são inexoráveis e fazem parte da vida com uma constância arrepiante.

Ser ridículo é inerente ao ser humano, mas se alguns momentos são discutíveis sob a ótica do ridículo, outros são absolutos e não há nada que minimize a desgraça.

Quem sabe um dos mais patético seja quando dentro do carro, você aciona o esguichinho para limpar ao vidro e a água, tirando sarro da sua cara, simplesmente passa por cima do carro, formando um “v” imenso, comprido e alto que não acerta o vidro, nem limpa nada.

É absolutamente patético. E ver o motorista insistindo, e esguichando de novo, sem a água acertar o vidro dá vontade de rir, evidentemente que quando nós não somos o motorista.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.