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O casamento da Companhia de Jesus

 

Quanto vale um continente? Depende de quem compra e quanto paga. Santo Inácio de Loiola não teve dúvidas. Ordenou que o irmão Pero Dias se casasse para a maior glória da Companhia de Jesus e pela conquista do interior da América do Sul.

Na metade do século 16, João Ramalho era casado com Bartira, filha de Tibiriçá, o grande cacique tupiniquim que comandava o Planalto de Piratininga, dividindo o enorme espaço que se afundava pelo interior com os caciques Piquerobi e Caiubi.

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O que os livros de escola não contam é que Bartira tinha uma irmã, Terebé, que se apaixonou por Pero Dias, um dos jesuítas sob o comando do padre Leonardo Nunes, que desde agosto de 1553 estavam no planalto de Piratininga, iniciando os trabalhos do colégio de São Paulo, instalado numa pequena palhoça na Vila de Santo André da Borda do Campo, a sucessora de Vila de Piratininga, fundada em 1532.

Diz a crônica que Pero Dias era um homem bonito e forte, ao contrário de Anchieta, que era corcunda e sofria de tuberculose. Os dois eram irmãos da Companhia de Jesus.

Como não temos fotos deles, fica o dito pelo não dito. O fato é que Terebé se apaixonou por Pero Nunes, que achou melhor fugir dela, até que Tibiriçá entrou em cena e decretou que ou ele se casava com sua filha ou os jesuítas seriam expulsos do Planalto. Depois de muita discussão, diante dos avanços da moça em cima de Pero Dias, decidiu-se enviar um emissário a Roma para saber a decisão da Ordem.

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Inácio de Loiola ouviu os fatos, pensou um pouco, ponderou o que estava em jogo e não teve dúvida: que Pero Dias se casasse. Afinal, o que era seu celibato diante do casamento com a filha de Tibiriçá? Pero Dias se casou e gostou. Tanto que, quando ficou viúvo, casou de novo.

 

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.