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O upgrade do cafezinho

Cafezinho sempre foi cafezinho. Alguns parecem mais uma maldição, outros são bons, e um terceiro é feito com receita estrangeira, com canela, leite e creme, e é uma delícia.

Cada um tem o cafezinho que merece. Acho que por isso existe pouca coisa pior do cafezinho de repartição pública. Não sei se é tortura para quem vai nelas, ou vingança de quem faz o café, o fato definitivo é que cafezinho de repartição pública tem pouca coisa igual de tão ruim que é, além de ser fraco e servido frio.

Mas existem outros cafezinhos que compensam o desastre e são muito gostosos, como se fossem feitos de propósito para serem comparados com o café das repartições públicas e deixar o cidadão com mais raiva ainda.

E existem os cafezinhos que são ótimos, feitos no capricho e por isso custam caro, mas compensam.

Cada dia mais os bons cafés proliferam, em quiosques, lojas, e casas especializadas, onde são servidos como que seguindo um ritual mágico, capaz de nos levar até o paraíso para ver Eva deitada nua, conversando com a cobra, antes de comer a maçã.

Durante décadas o Brasil produziu e exportou o melhor café do mundo. Para nós sobrava uma palha seca, queimada e escura, com um vago gosto de café para enganar o paladar.

O café das repartições públicas era feito com o tipo mais barato, por isso ficava ainda pior.

Agora as coisas estão mudando e o brasileiro já pode tomar um a café muito bom, com gosto de café bom, preparado como café bom, para ser bebido como café foi feito para ser bebido. Graças a Deus.

 

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.