Os caminhos
São Paulo, no começo, era uma currutela espremida no alto de uma colina cercada por três rios e com uma encosta íngreme para se subir. A localização privilegiada sempre estivera às vistas dos portugueses e índios que habitavam o planalto desde bem antes da chegada dos jesuítas de Nóbrega. Só não havia sido ocupada antes, permanecendo deserta até a construção do segundo colégio dos padres, no ano de 1554.
Soldados na acepção da palavra, os jesuítas perceberam as enormes vantagens da posição privilegiada daquele morro para defesa e controle do planalto. E foi lá que ergueram a escola definitiva, depois de levantarem um colégio menor e provisório na vila de Santo André da Borda do Campo.
Mas se o núcleo urbano se mudou por ordem real para as imediações do colégio no ano de 1560, ali não era o único trecho habitado pelos europeus no alto da serra. Pelo contrário. Havia outras terras próximas já abertas pelo homem branco, a maior parte em conjunto com os índios amigos que povoavam a região.
Eram fazendas pequenas, apesar das enormes áreas por onde cada uma poderia se estender.
Poucos anos depois, havia também outros núcleos de povoação, como São Miguel, Embu e Pinheiros. E a Freguesia do Ó, onde Manuel Preto ergueu uma capela para Nossa Senhora. E Santo Amaro, mais longe, no final do caminho do Ibirapuera.
Cada um desses pontos era servido por um caminho que saia da vila mãe e se estendia pelo planalto, aproveitando a topografia para facilitar a viagem. Até hoje as principais vias da cidade seguem o traçado original dessas estradas ao longo das quais a cidade cresceu.
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