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Só os radares melhoram

É curioso, mas a CET continua se ultrapassando e fica fácil de perceber, até quando ela tenta ser discreta. É só olhar os radares instalados recentemente para se ter certeza que a companhia inteira pode estar tendo problemas, mas o funcionamento dos radares segue impecável, perfeito, minimamente cronometrado para te multar, bem antes de você perceber que vai cometer ou cometeu a infração.

Nem sempre você sabe que está cometendo uma infração. Por exemplo, várias placas de velocidade estão bem antes ou muito depois do radar, o que faz você relaxar e tomar uma multa. Quer dizer, no jogo da CET má-fé faz parte das variáveis. Compõe as premissas pensadas e revisadas para engordar o caixa da empresa que, como eu já escrevi, dá lucro e bom.

Tanto faz se a cidade está parada. O argumento é que antes da pandemia já estava, portanto, não tem nada de novo debaixo do céu. Mais uma vez, a má-fé se manifesta claramente. Antes da pandemia já era responsabilidade da CET colocar ordem no trânsito, o que ela nunca fez, em primeiro lugar porque não tem competência e em segundo, porque, mesmo se tivesse, ela não quer. Aliás, o município não quer, afinal, perder a boquinha das multas faz diferença no caixa.

Pode mais quem chora menos. Com certeza, a CET pode mais. Você não vê marronzinhos chorando.

Aliás, você quase não vê marronzinhos, seja lá da forma que for, nem mesmo tomando sol no meio do canteiro central da Marginal. Os marronzinhos são material escasso na paisagem urbana. Mas eles não melhoram.

Só melhoram os radares. Os semáforos estão embandeirados, cones estreitam as ruas, ruas estão fechadas, tudo porque não tem sinalização. Tanto faz, os radares seguem impávidos, multando, multando, multando. Você nunca ouviu falar de radar parado porque roubaram os fios.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.