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Fretados

[Crônica do dia 28 de dezembro de 2009]

Confesso que eu não tenho certeza dos resultados. Se antes estava ruim,
agora está pior ainda, ou quase.

Ninguém discute que a cidade necessitava uma solução para os ônibus fretados que, diariamente, infernizavam a vida de milhões de pessoas, em nome do conforto de alguns milhares.

Também, ninguém discute que este tipo de transporte tem um papel importante no cotidiano da cidade.

Finalmente, ninguém discute que a Prefeitura tinha que fazer alguma coisa em nome da ordem pública e do bem-estar da população.

O que eu não tenho certeza é se a solução adotada foi a melhor de todas.

Confesso que me parece que não.

Pelo menos nos meus roteiros, o caos em vez de diminuir aumentou, com os ônibus fretados circulando por onde não circulavam, ou seja, em ruas sem condições de recebê-los.

Pior ainda, quando eles cabem nas ruas, são tantos que a fila acaba atrapalhando as faixas ao lado, complicando um trânsito que já é complicado, como o trânsito da Avenida Sumaré, debaixo da Avenida Dr. Arnaldo.

Qual a lógica dos ônibus fretados se meterem Vila Madalena à dentro, por ruas estreitas onde pioram o que já está péssimo?

Se há de haver uma solução, com certeza ainda estamos muito longe dela.

Mais do que nunca o interesse coletivo tem que ser superior ao interesse individual. Ou de outra forma, o interesse da maioria é mais importante do que o das pessoas que usam ônibus fretado para chegarem ao trabalhar. Um pouco de ordem é sempre a melhor solução para o caos.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.