As Paineiras chegaram
Lentamente, como que não querendo sair de cena, as goiabeiras vão ficando sem seus frutos, boa parte caída no chão, outros comidos pelos animais e um punhado devorado pelos seres humanos que frequentam a Cidade Universitária.
Pouca coisa é melhor do que comer goiaba no pé. Tanto faz, a branca ou a vermelha. As duas são deliciosas e comidas no pé têm um gosto de fazenda, de interior antes do agronegócio deslanchar, quando as fazendas eram mais devagar e a vida também corria sem pressa.
Não tinha caminho, estrada vicinal e até estrada regional sem seus pés de goiaba na beira. E a gente parava e comia as frutas apanhada diretamente dos galhos da goiabeira, uma mais gostosa que a outra, numa festa de sabor que interrompia a cavalgada pelo tempo certo para comer as frutas e tocar em frente, em passeio sem pressa, ou cavalgada para salvar o rei, em longas disparadas para ver quem chegava na frente.
Hoje isso é passado, como é passado a música caipira raiz que tocava nos rádios de válvula com longas antenas de bambu, com um fio esticado até a ponta para pegar melhor.
As goiabeiras estão se despedindo. Agora, só chamam atenção no ano que vem, quando as frutas voltarem aos seus galhos. Mas não é para ficar triste. A sensação de interior não acabou.
Agora é a vez das paineiras entrarem em cena, com suas flores vermelhas recordando os pastos de capim gordura, roxos nessa época do ano, para contrastar com a florada das paineiras solitárias, senhoras do horizonte, no alto dos morros.
As paineiras paulistanas sabem que pela falta de número não são páreo para os ipês e quaresmeiras. Então elas capricham na pose, se enchem de flores e brilham nos lugares onde estão plantadas
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