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Alguns dias depois

Já se passaram alguns dias desde a eleição do primeiro turno. Confesso que ainda sinto um certo desconforto na barriga cada vez que penso no que foi essa eleição. Aos mais de 70 anos nunca imaginei que eu veria o Brasil numa enrascada parecida. Que vergonha!

Foi com esse sentimento que eu acordei no dia 5. Vergonha. Aliás, eu sabia que sentiria vergonha desde muito antes da eleição acontecer. Em todos os níveis. Em todos os cargos. Vergonha, Vergonha. Vergonha.

A forma como as campanhas aconteceram, a falta de debates sérios, o mais absoluto desrespeito pelo eleitor (esse inocente útil que elege e enriquece parte dos políticos).

A candidatura como a garantia de riquezas salomônicas no futuro e não como o comprometimento com a pátria. Os milhões de futuros Vorcaros como as minas escondidas no fim do arco-íris. E o resto que se dane. Que se dane o eleitor, o partido, o Estado, o Município, o futuro das novas gerações, a educação e a saúde. Que se dane tudo que não aumentar meu poder de compra, minhas viagens nacionais e internacionais, de preferência em jatinhos particulares.

Vergonha de ter que olhar um estrangeiro nos olhos e dizer, sim, apesar de tudo eu sou brasileiro. Não o Brasil não é isso, o brasileiro não é isso. Somos diferentes, estes são políticos, ou a parte dos políticos e dos marajás que se lixam para o país.

Confesso que o desânimo é minha marca registrada nesse momento. O jogo não está fechado, mas o desânimo é o que me move, é o que me toca em frente.

Eu sei por experiência própria que sempre dá para piorar. Quem viveu os anos 80 e 90 no Brasil, sabe que sempre dá para piorar e piorar muito. Esse não é o país com que eu sonhei, mas, paciência, é o que temos hoje.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.