Os marronzinhos mudaram de cor
Provavelmente você não viu, porque não os vê nas ruas, mas os marronzinhos mudaram de cor. Não são mais marrons, isso mesmo, não são mais marrons.
Em compensação se tornaram mais raros. Agora parecem macucos, você precisa piar numa esquina de estimação para aparecer um, e mesmo assim arredio, sem pressa, como quem desconfia das suas intenções (pode ser que você queira que eles trabalhem!).
Essa desconfiança faz todo o sentido, desde a pandemia os marronzinhos desapareceram das ruas, aparecem esporadicamente quando acontece um acidente, ou quebra um caminhão numa das Marginais. Fora isso, vê-los é como encontrar a ave do paraíso no meio da floresta malaia. As chances são mínimas.
O desaparecimento é tão absoluto que nem os Ricardões que eles deixavam nas guaritas das Marginais dão o ar da graça. Aliás, nem as guaritas existem mais.
É verdade, eles não teriam muitas condições de mudar o ritmo das ruas da cidade. Tem mais carro do que rua, então não tem o que fazer. Mas melhorar a sincronização dos semáforos ajudaria a diminuir ainda que minimamente pelo menos a sensação de impotência causada pelo engarrafamento que não acaba.
Seria alguma coisa como os canhões antiaéreos ingleses. As chances de abater os aviões alemães eram mínimas, mas o barulho de seus tiros dava confiança para a população.
Eu sei que as ruas paulistanas têm pouco em comum com os céus britânicos, é só uma sugestão. Não para resolver alguma coisa, mas para enganar os motoristas e vender a ilusão de que com os marronzinhos nas ruas o caos pode diminuir.