Cadê os pernilongos
[Crônica de 4 de setembro de 2007]
Em época de Supremo Tribunal Federal dar lição em político, recebendo e abrindo os processos do Mensalão, muitos outros fatos importantes perdem sua visibilidade. É o caso dos pernilongos na cidade de São Paulo.
Não sei se vocês repararam, mas até agora, este ano, as pequenas feras que no passado já se associaram com as mais altas autoridades municipais, com industriais e com outros animais, para causar o máximo de dano e sofrimento com o mínimo de esforço, quase não apareceram.
Tirando um ou outro, voando perdido e como se estivesse meio sonado dentro de casa, os pernilongos não deram as caras. E já fez calor, frio, calor e frio, mais ou menos etc.
Este ano eles estão escondidos ou foram embora. É difícil dizer com certeza o que aconteceu, mas alguma coisa muito séria aconteceu.
Um amigo inclusive acha que existe um novo acordo secreto com a prefeitura, só que desta vez ao contrário. Em vez de ter interesse na agressividade das feras, as autoridades estariam interessadas em que elas ficassem quietas, ou atacassem em outros municípios, transformando São Paulo numa cidade dormitório, onde elas teriam esconderijo assegurado em troca de não picar os moradores.
Eu duvido de um acordo desta natureza. A atual administração tem se mostrado séria e não haveria razão para transigir em cima do cidadão dos municípios vizinhos.
Mas como também não vi nenhuma pulverização nas margens dos nossos rios, não tenho certeza se a prefeitura está por trás de alguma medida radical que tenha dado cabo dos pernilongos. O que eu sei é que até agora eles não vieram, não viram, nem venceram.