Tem lá sua graça
[Crônica de 31 de agosto de 2000]
Os programas políticos obrigatórios no rádio e na televisão chegam a ser grotescos, dando para o eleitor um quadro trágico do que o espera depois das eleições, vença quem vencer.
Um conhecido jornalista paulistano diz que o duro aqui é que o que vem depois é sempre pior, o que acaba redimindo o ex, por pior que tenha sido.
Se este ano, em função de tudo de ruim que estamos assistindo, a história poderia mudar, a mudança ficou só na intenção. Não tem jeito, se mudar, muda para pior.
É patético escutar o que os candidatos, vários deles com nomes que sequer são nomes, tentam nos dizer, normalmente num português lamentável, que me faz pensar se não é hora da lei eleitoral ser emendada, para exigir que os candidatos sejam submetidos a uma prova de redação, já que deverão votar leis escritas, com consequências para a população e onde o conhecimento mínimo da língua faz diferença.
Por exemplo seção, com ce cedilha, cessão com dois esses e cessão com ce no começo têm o mesmo som, mas significam coisas completamente diferentes e desconhecidas da maioria dos ilustres postulantes a representantes do povo na Câmara Municipal, que, com certeza poucos deles sabem, é mais antiga do que qualquer câmara norte-americana, tendo sido eleita pela primeira vez em 1532.
O curioso é que a gente, escutando os desmandos que são ditos, acaba rindo, mesmo sabendo que, mais tarde, quando os eleitos começarem a trabalhar, este riso vai perder a graça.
Não tem como não rir de alguém que se intitula mão leve, ou fulaninho de não sei onde, ou o estrangeiro do bairro xpto.
Não tem como não rir do parente do 007, ou do clandestino que promete lutar pela clandestinidade da categoria.
Não tem como não rir, pensando no troco que a gente vai dar no dia primeiro de outubro.