As árvores caem
Não tem jeito, é uma verdade absoluta: as árvores caem. Caem como as motocicletas e os helicópteros, caem porque foram feitas para em algum momento caírem.
O que acontece em São Paulo é que muitas vezes estes momentos são antecipados, árvores que não deveriam cair agora, caem agora, causando danos colaterais terríveis, como a morte de uma pessoa.
Não deveria ser assim? Só se o ser humano fosse diferente do ser humano. Enquanto formos humanos, árvores seguirão caindo, não por culpa delas, mas porque, nós, humanos, nos achamos deuses, capazes de interferir na criação, na obra da natureza.
Por ação ou omissão, fazemos errado, atrapalhamos o contexto da vida, nos metemos onde não fomos chamados e o resultado é que as coisas nem sempre acabam bem.
Que o digam as árvores que caem pelas razões mais sem sentido, desde falta de cuidado, até terem as raízes cimentadas. Para não falar em plantio equivocado, ou escolha errada da muda a ser plantada.
Não dá para dar certo. A bagunça nas calçadas complica ainda mais um quadro que não é fácil. Postes, emaranhados de fios, tubulações aparentes, buracos, crateras, cimento onde não pode ter cimento, árvores doentes, tudo conspira para dar errado. E dá.
Nesta época do ano o drama se acentua, cresce de intensidade, mais árvores caem, muitas vezes só porque o vento foi forte o bastante para arrancá-la com raízes e tudo, ou para quebrar seu tronco muitas vezes centenário. Não tem o que fazer, contra natureza enfurecida não há proteção. Que o digam as árvores milenares que também caem nas florestas fechadas.
A vida é assim, e quando ajudam a piorar, não tem jeito, piora.
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