As bolinhas de golfe saem da água
[Crônica de 12 de janeiro de 2005]
O contrário do que acontece com várias expedições que custam milhões de dólares e dão com os burros n’água, deixando no fundo do mar o que foram buscar, os mergulhadores dos campos de golfe de São Paulo, com um custo módico, conseguem enorme sucesso.
Parece que o ganho com a atividade paralela é muito maior do que o salário oficial dos funcionários dos clubes de golfe. É que o golfe é esporte de gente rica, mas que também gosta de fazer economia, e a recuperação de bolinhas afundadas por causa de tacadas mal dadas é um grande negócio.
Uma caixa de bolinhas de golfe custa vários dólares que convertidos são dezenas de reais, e uma parte destas bolinhas acaba afundando nos lagos dos campos, postos lá mais para isto mesmo do que para enfeitar.
Daí a se criar a nova atividade profissional foi um passo, sendo que nos Estados Unidos onde o golfe é mais difundido e os lagos são mais fundos, os catadores de bolinhas, ao contrário dos catadores de pérolas, ganham até equipamentos de mergulho, o que leva a conclusão de que as bolinhas de golfe, nas sociedades modernas, valem mais do que as pérolas.
Teoria que faz sentido, se lembrarmos que o mercado de artes paulistano entrou em crise quando abriram as importações de carros.
Nós não temos muitos campos de golfe em volta de São Paulo e, também, não temos muitos jogadores. Mas o esporte cresce de vento em popa, e, portanto, também o número de bolinhas dentro dos lagos, acenando com um próspero futuro para quem entrar no negócio.
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