A florada das paineiras
[Crônica de 18 de abril de 2002]
As paineiras de São Paulo, todos os anos, dão um show à parte com sua florada no começo do outono. A exceção vai sendo este ano. Até agora a florada das paineiras está fraquinha, fraquinha, como se elas tivessem perdido o gás ou desistido de enfeitar a cidade, sabe Deus por que razão.
Como São Paulo tem muito menos paineiras do que quaresmeiras, ou ipês, as paineiras sempre fizeram um esforço extra, para entrar com suas flores num momento especial, causando um “oh” de emoção, por conta das árvores completamente recobertas de rosa ou branco, uma mais deslumbrante do que a outra, numa competição ente elas, onde quem sempre ganhou foi quem teve a sorte de passar perto e pode vê-las.
As paineiras são árvores temperamentais, que gostam de se mostrar, por isso é comum vê-las nos espaços abertos dos pastos e dos campos sem fim, que se espalham por São Paulo.
Nesta época do ano, quem sabe para fazer contraponto com o capim gordura, as paineiras se enchem de flores, normalmente rosas ou brancas, enfeitando a paisagem com o tom forte delas cobrindo as poucas folhas que insistem em aparecer.
É por isso que é estranho até agora elas não terem florido na cidade de São Paulo, mesmo com uma mais apressada tendo saído na frente, dando a ilusão de que seria um ano especial por causa da florada das outras paineiras que deveriam estar se preparando para virem atrás dela, encher a cidade de cor e os passarinhos de alegria.
Ainda tem tempo para as paineiras recuperarem o tempo perdido. O tempo tem andado tão louco, e as chuvas foram tão fortes, depois de uma estiagem comprida, que pode ser que elas só tenham perdido o timing, mas já estejam se reencontrando, para florirem com toda a força, toda cor e toda poesia de suas flores.
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