Um livro diferente
[Crônica de 29 de abril de 1998]
A imensa maioria dos livros sobre história do Brasil peca por um destes dois pecados: quando são interessantes são mal escritos ou quando são bem escritos, não têm interesse algum.
Não me perguntem por que é assim, porque eu não sei a resposta. Simplesmente estou exprimindo uma constatação antiga, feita por quase todos que se interessam pelo tema e que sobem um calvário ao ler alguns dos livros mais importantes sobre a nossa história.
Por outro lado, uma série de livros que são deliciosos de serem lidos, escritos num estilo leve que prende o leitor, não dizem quase nada de importante, não acrescentando muita coisa ao conhecimento de quem os lê.
Este quadro atinge dimensões trágicas nos livros escolares. A maioria dos livros de história adotados pelas escolas, além de contar uma história do Brasil bastante própria, em que vale mais o achismo ou a posição política do autor do que os documentos que tratam da matéria, são invariavelmente mal escritos, prestando o enorme desfavor de espantar os alunos, que, depois de algum tempo digerindo-os na marra, toma horror do tema, abandonado para o resto da vida qualquer sombra de interesse pelo seu passado ou pelas raízes do seu país.
Surpreendentemente, acabo de ler um livro sobre história do Brasil que, fazendo parte de uma minoria, é bem escrito e traz fatos importantes e pouco conhecidos.
“A Construção do Brasil” do historiador português Jorge Couto, que está sendo lançado na Bienal do Livro de São Paulo é um livro diferente da média.
Com o capítulo sobre os índios colocando-se entre o que existe de melhor sobre o tema, o escritor passa por todo a nossa história, ao longo do século 16, de forma clara, bem escrita e raramente bem documentada.
Para quem quer conhecer este período da nossa história, “A construção do Brasil” é um livro de primeira ordem.
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