Um grande dentista
[Crônica de 20 de abril de 2010]
Confesso sem nenhuma vergonha: Eu tenho medo de dentista. E além do medo, detesto a sensação que se prolonga por horas da anestesia para tratar os dentes debaixo.
Se alguém quiser me torturar para que eu revele algum segredo que eu não sei que sei, basta ligar o motor de um aparelho de dentista. Eu conto tudo, até o que eu não sei, com a certeza de quem sabe.
É verdade que isso é trauma de infância. Eu minhas irmãs, primos e primas fomos torturados por um sádico que se dizia dentista, mas que com certeza, mesmo não sendo alemão, aprendeu a profissão num campo de concentração nazista.
Não havia prova concreta que mudasse a posição de nossas mães. Ele era o cara, o resto era fita nossa. Tanto fazia dizer que foram necessárias 4 ou 5 anestesias antes da boca dormir, ou que ele não esperava a anestesia fazer efeito para começar a furar. Este homem me marcou, deixou em mim um medo sobre-humano dos dentistas em geral.
Depois dele tive três grandes dentistas. O primeiro foi o Dr. Leduar Knese que provou que um dentista não é necessariamente um monstro. O segundo foi Sergio de Sá e Benevides, um gênio da profissão, que refez minha boca num trabalho que está aí há algumas décadas.
E o terceiro é meu dentista atual. Com certeza o Dr. Ricardo Pelegrino é mais que um grande dentista, que conseguiu inclusive a façanha de restaurar um dos meus dentes da frente, quebrado desde que eu era menino.
Como se não bastasse, tem um papo gostoso e no consultório tem uma tela que fica na frente do paciente e passa shows e concertos de música deslumbrantes, enquanto ele trata da minha boca.
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