A idade das árvores
[Crônica de 21 de julho de 1998]
Qual a idade real dos jequitibás de Santa Rita do Passa Quatro? Até agora ela era estimada em 3.000 anos, mas vai ser revista. Será que os jequitibás ficarão ainda mais velhos, ou será que remoçarão 400 ou 500 anos?
É uma pergunta importante. É uma pergunta capaz de interessar a comunidade científica internacional, porque a idade das árvores pode contar muito do desenvolvimento da terra.
A árvore mais antiga que se conhece é um pinus norte americano. Ele passa dos 3.500 anos, o que vale dizer que quando a guerra de Tróia deu a hegemonia do mediterrâneo aos gregos ele já fazia sombra, e quando Alexandre, o Grande , conquistou a Ásia ele era bem encorpado.
Mas são só 500 anos a mais do que os nossos trezentos e poucos jequitibás do Parque Estadual de Vassununga, perto da rodovia Anhanguera, em Santa Rita do Passa Quatro.
Árvores enormes, com uma altura média de 35 metros, os jequitibás impõem a sua presença e a sua idade, velha de muito antes do nascimento do cristo, como um quadro dramático, onde a presença do homem desequilibra a natureza.
Eles são o retrato da mata que cobria parte do solo paulista e que, ao longo dos séculos, foi sendo abatida pelo ferro e pelo fogo, até restarem poucas manchas, que abrigam os antigos senhores da terra, quais gigantes indefesos diante de uma força muito mais poderosa.
A força do fogo e do machado. A força que cavou nos troncos gigantescos de seus irmãos as canoas que desciam o tietê, transportando cargas e gente como pequenos navios.
A força que abriu as terras paulistas para as riquezas sem fim do café e da industrialização que ele pagou e viabilizou. A força do sangue misturado de índios, bandeirantes, negros escravos e imigrantes que regaram a terra com seu suor e a araram com sua vontade.
Força que restringiu os jequitibás a um pequeno parque, onde eles gozam sua velhice em paz, protegidos por seus antigos inimigos.
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