As chuvas de verão
[Crônica de 23 de março de 2008]
Como acontece todo mês de março, as chuvas de verão, em São Paulo, decidiram intensificar a força com que caem. O resultado foi pátios de montadoras inundados, centenas de veículos zero perdidos, ruas alagadas, carros arrastados pela correnteza, imóveis desmoronando, casas com água até o teto etc. Nada que não aconteça todos os anos, mas que horroriza, principalmente pela fraqueza humana frente a natureza.
A única certeza é que não há muito que fazer. Que ainda que fossem possíveis, as ações para minorar o problema serão sempre paliativas, porque as enchentes ocorrem por causas naturais, impossíveis de serem modificadas, pelas características geográficas da região.
São Paulo não é uma cidade fácil. Sua localização e a forma como se deu seu crescimento dificultam qualquer tentativa de planejamento. E seu tamanho desproporcional complica uma ação coordenada dos diferentes órgãos e níveis de governo que tratam do assunto. Neste cenário, ainda que se criasse uma comissão especial para resolver o problema, ele não seria resolvido, pelo menos no atual estágio do desenvolvimento humano.
O que acontece aqui é fruto do curso dos rios que cortam o planalto, da composição do solo, do pequeno declive nas zonas de várzea, do regime de chuvas e da impermeabilização do solo.
Durante toda época colonial e boa parte do império, era legalmente proibido construir nas zonas de várzea. As razões eram de saúde pública. Temia-se que as inundações anuais trouxessem epidemias que atacassem os moradores da cidade. Nós mudamos isso e, agora, pagamos o preço.
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