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O meteorito alucinado

[Crônica de 2 de julho de 2004]

Todo meteoro é um suicida bem-sucedido. O problema, como acontece em parte dos suicídios, é que às vezes quem não tem nada com isso acaba levando uma paulada indevida.

O ato de entrar na atmosfera é a condenação do meteoro, ele brilha por um curto minuto e se desintegra. Por outro lado, pode ser que no tempo dos meteoros o minuto de brilho seja uma eternidade que compense o salto, mesmo com a certeza do fim.

Pode ser que a morte por atrito e fogo seja destino, ou uma regra de física simples, onde o corpo maior atrai o corpo menor e o destino do pequeno é sucumbir destruído pelo grande.

Pode ser, mas eu não sei, por que quem sou eu para saber os segredos do universo e por que os asteroides se matam.

Falta competência, entendimento e tamanho para pretender dar palpite nesses assuntos onde os dinossauros são meros exemplos desaparecidos das forças envolvidas e que não adianta remar contra, porque quanto tem que ser é, e ponto.

Se os dinossauros que dominaram o planeta por centenas de milhões de anos não tiveram chance, quem somos nós, ridículos humanos, com menos de três milhões de anos de estrada para querer dar palpite nos mistérios do universo, e no rumo dos meteoros.

Os meteoros caem e é melhor não estar em baixo, quando os poucos que atravessam a atmosfera chegam na terra. Eles chegam fazendo barulho e quebrando o que está em volta. Mesmo sem intenção de causar dano ou machucar alguém.

Que o diga o dono da casa na Nova Zelândia, onde um meteoro caiu em cima, sem pedir licença para ninguém, e fez um baita furo no telhado.

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Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.