Meninos eu vi
[Crônica de 19 de agosto de 2008]
Um dos grandes poemas brasileiros tem como mote o célebre “Meninos eu vi”. Pois eu quero dizer que sou tão abençoado como o narrador da poesia. Meninos, eu também vi.
E vi com estes olhos que a terra há de comer, ao vivo e em cores, pela televisão e antes no cinema, depois de ouvir pelo rádio, como aconteceu na primeira Copa do Mundo da minha vida, lá se vão 50 anos, eu ainda era uma criança. E como aconteceu de novo em 1962, na Copa do Chile.
Ao longo destes anos todos, décadas e lustros, se eu não tive o privilégio de viver constantemente numa democracia ampla, geral e irrestrita, passando por uma ditadura que pode ser considerada amena, comparada com o que aconteceu no mundo, tive o privilégio de viver numa época em que grandes atletas foram se sucedendo, nos mais diversos esportes.
Quem viu Pelé e Garrincha jogarem sente uma certa frustração com o futebol de hoje, ainda que com grandes craques permanentemente encantando os estádios.
Ah, os monstros das copas passadas. Gerson, Rivelino, Jairzinho, Tostão, Cruyff, Beckenbauer, Maradona, Platini, e tantos outros, até chegar aos dias de hoje, passando por Falcão, Raí, e Ronaldo o Fenômeno, quando era de fato um fenômeno.
E nos outros esportes. No boxe Muhamed Ali, Eder Jofre e Mike Tison. No automobilismo, Jim Clark, Emerson, Lauda, Ayrton Senna e Schumacher. E na natação. Que beleza, ter visto Mark Spitz e 36 anos depois vibrar com o nado mágico de Michael Phelps.
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