A confirmação da primavera
[Crônica de 7 de novembro de 2005]
Eu já contei como eu sei que primavera chegou. Como a pitangueira da frente da casa de D. Iolanda, numa rua pequena do Butantã, me avisa da chegada da nova estação nas pitangas maduras que ela espalha por seus galhos, dobrados pra baixo pelo peso dos frutos vermelhos.
Este ano a pitangueira de D. Iolanda já carregou e eu já fiz a crônica ritual, anunciando o momento. E volto ao tema das pitangas e das pitangueiras porque a pitangueira do jardim da minha casa decidiu entrar na dança das pitangas, e ainda que sendo uma árvore nova, com menos de 5 anos, o arbusto não tão pequeno assim, resolveu caprichar na briga pelo tamanho da carga, disposta a concorrer com as duas jabuticabeiras que também ficam no jardim para ver quem carrega mais.
Não fosse eu ficar gripado e por conta da gripe preso em casa, e não teria percebido a pitangueira do meu jardim carregar, com seus galhos finos tentando equilibrar no alto dezenas e dezenas de frutos vermelhos, como que mostrando para as jabuticabeiras cuja safra acaba de acabar, a importância de se ter paciência, ainda que sendo uma árvore nova e que, por isso mesmo, ninguém esperava que aceitasse seu destino desde agora.
O melhor da festa é que as pitangas da pitangueira do jardim da minha casa são ótimas. Não ficam devendo nada às pitangas da pitangueira de D. Iolanda.
Com seu gosto típico, marcado forte, cada fruta dá a quem come a possibilidade de se imaginar nas antigas matas onde as pitangueiras e as jabuticabeiras sempre cresceram, fazendo das frutas paulistas algumas das melhores do Brasil. Além disso, de agora em diante, tenho a contraprova da chegada da primavera.