Pressione enter para ver os resultados ou esc para cancelar.

Os sabiás pouco se lixam

O Brasil segue em frente. Não tem choro nem vela, depois das eleições o jeito é tocar em frente com o que temos. Qualquer alternativa é fantasia, o jogo é esse e o jeito é aceitar a vida como a vida vem.

Poderia ser diferente? Não, do jeito com que as coisas foram acontecendo, faz muito tempo que o nosso destino estava traçado. Não tem como ser de outra forma. Desde a redemocratização, com raras exceções, o que se viu não foi o bom ou o interesse em levar o país para frente.

Ao contrário, os escândalos de corrupção foram muito mais constantes do que os grandes avanços no campo social. A quantidade de grana tungada dos cofres da pátria assustariam até Dario, o imperador dos persas. Foram bilhões de dólares jogados no bolso de gente muito mais interessada no próprio bolso do que na educação e na saúde dos brasileiros.

O exemplo do Banco Master diz tudo, de alto a baixo, de lado a lado, gente de todas as cores meteu a mão na massa. A pergunta que não quer calar é onde estavam o Banco Central, o COAF e outros órgãos de controle?

Se o cidadão comum faz duas transações de 20 mil reais, caem em cima dele. O Master sumiu com mais de 60 bilhões e ninguém viu.

Imagine o que tiraram da Petrobrás e de todos os outros escândalos que chacoalharam o país. É sempre bom não esquecer que os outros eram gente muito maior, que não hesitaram em devolver bilhões de dólares e que grandes grupos, em nome da faxina moral, foram praticamente liquidados.

Não tem jeito, o jeito é acordar amanhã como você acordou hoje, e tocar em frente. Eu sei, tem uma forte dose de tristeza e uma maior ainda de vergonha. Mas fazer o que? É assim que a vida é. Seja lá pela razão que for o Brasil é isso. Com um ou outro, tanto faz, seria ruim do mesmo jeito.

O duro é que dessa vez não tem nem futebol para enganar as massas. É osso com osso, e isso dói demais. Daqui a 4 anos nos vemos de novo.

___
🎧 Siga meu podcast Crônicas da Cidade no Spotify:

 

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.