O Congresso em ação
[Crônica de 29 de abril de 2002]
Tem gente que insiste em dizer que o Congresso Nacional não funciona – que ele é quase igual a Câmara Municipal de São Paulo, que não funciona mesmo – e por aí vai difamando uma casa que presta os mais relevantes serviços à pátria, sem outro interesse de seus nobres membros, exceto a vontade de servir a nação e fazer mais por um Brasil grande e independente.
Só quem não escuta a Voz do Brasil é capaz de tanta maldade. Afinal, é só sintonizar umas emissoras que ainda transmitem a tortura, para se ter claro que o Congresso trabalha sim e faz a sua parte todos os dias.
Afinal, se ganham bem, os congressistas devem retribuir a vantagem e devolver ao país o resultado do seu esforço, em milhares de projetos de leis de todo os tipos, a maioria mudando o nome de estradas ou criando coisas tão fantásticas como dia do tanoeiro, profissão sabidamente complexa e que alimenta milhares de brasileiros de norte a sul do país.
Como prova do trabalho incessante das casas, eu quero trazer dois exemplos que reforçam a vontade de colocar mandioca na pizza, de um conhecido defensor dos direitos dos fracos e oprimidos.
O primeiro projeto é uma obra prima de visão estratégica e senso de perigo. O nobre deputado, preocupado com a possibilidade cada vez mais concreta do Brasil ser invadido por forças alienígenas, vindas do espaço sideral, pretende obrigar todos os que virem um disco voador a informar o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia a respeito do fato, com o máximo de detalhes sobre local, hora, quantidade etc.
E o segundo, também absolutamente sintonizado com as carências da nação, vai além: preocupado em garantir uma alimentação saudável por um preço justo para toda a população brasileira, quer obrigar todos os pastéis a terem duas azeitonas.