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Os escorpiões saem da fábulas

Em 2018, os escorpiões definitivamente saíram das fábulas e entraram na vida dos brasileiros. E entraram da forma mais doída.

Quem já foi picado por escorpião sabe que dói e dói muito. Dói tanto que tem pessoas, especialmente crianças e velhos, que morrem porque são picadas e não resistem à dor e ao veneno.

O escorpião no imaginário popular existe em fábula ou em zonas rurais, velhos terreiros ou casas de colônia abandonadas, onde as frestas servem de abrigo para os animais se esconderem dos predadores e reproduzirem, gerando milhares de filhotes, que se espalham pelos entornos das fazendas.

E que é lá que eles fazem a festa, picando quem passa perto, como se fossem seres do mal, primos dos vampiros e lobisomens, com a missão de implantar o reino das trevas.

Os escorpiões não são animais do mal, nem são traiçoeiros, nem ficam esperando as pessoas com o ferrão armado para picar quem passa perto. Ao contrário, eles são lentos e só atacam quando se sentem ameaçados. Ninguém será perseguido por um escorpião enfurecido, correndo feito louco atrás de uma vítima indefesa. Aliás, basta um pisão calçando bota de cano alto para matar o bicho sem risco e sem dificuldade.

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Acontece que a urbanização do país está trazendo o escorpião mais para perto das pessoas. E o contato não é combinado, nem tem regras para acontecer. Normalmente é de bate pronto. Alguém estende a mão ou coloca o pé perto do bicho, ele se sente ameaçado e pica.

Como as periferias estão invadindo as zonas rurais e as condições de construção e higiene são precárias, os escorpiões encontram o habitat que necessitam e se instalam nele. Cada vez mais as pessoas terão que tomar cuidado e olhar onde colocam as mãos e os pés.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.