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Ajudar a trocar pneu

 

Até alguns anos atrás, era comum pararem para ajudar mulheres a trocar pneu na beira da estrada. Aliás, não era apenas na beira da estrada, os homens paravam na cidade também.

Tinha um certo encanto, tinha a remotíssima possibilidade de alguma coisa continuar, mas, basicamente, era para ajudar mesmo. Trocar o pneu e mais nada.

O problema é que trocar pneu ficou uma atividade perigosa. Você vê o carro parado, a mulher com a chave de roda na mão, ar de quem não sabe o que fazer, para e é assaltado.

Os assaltantes são criativos. E uma jovem bonita não tão difícil de encontrar. É colocá-la ao lado do carro e esperar. Ou era.

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Hoje os homens pensam duas vezes antes de parar, até porque, se não fosse a possibilidade do assalto, um número cada vez maior de mulheres não quer – nem precisa – ajuda de homem.

Elas se bastam. Abrem porta do carro, puxam cadeira no restaurante e pagam conta sem pedir, nem precisar da ajuda de ninguém.

E se elas fazem isso, também trocam pneus, chamam o auxílio 24 horas da seguradora e se dão muito bem, sem auxílio ou palpite de homem.

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Parece que ser gentil saiu de moda. Ou porque a mulher não quer, ou porque o risco de assalto é real e inibe qualquer gesto de boa vontade de quem quer que seja.

Eu sou da época em que dar flor, abrir a porta do carro ou puxar a cadeira do restaurante era legal. Não era visto como um ato de superioridade masculina ou submissão da mulher. Da mesma forma que acender o seu cigarro… Não tinha competição, superioridade ou qualquer outra coisa no gênero. Era apenas natural e o que se esperava de um homem bem educado. Enfim, os tempos mudam. Hoje isso é feio.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (2017/2020), atual Irmão Mesário da Irmandade, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.