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Prova de vida

 

Um belo dia descobri que não estava recebendo minha aposentadoria. Fui tentar entender o porquê e descobri que eu não tinha feito minha prova de vida e que, portanto, o benefício estava suspenso porque eu poderia estar morto.

Fui ao banco e provei que eu estava vivo. Apesar de movimentar minha conta regularmente e conversar com a gerente de tempos em tempos, precisei mostrar meu documento de identidade, que foi copiado para ser enviado ao INSS para provar que eu estava vivo.

Não adiantou. Precisei entrar em contato com o INSS e abrir um requerimento para realização de prova de vida. O assunto ficou em análise algum tempo, após o qual, depois de meia hora aguardando no telefone, consegui falar com uma funcionária do INSS que foi simpática e eficiente no atendimento e que me deu o caminho das pedras.

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Fez todas as perguntas que provassem que eu era eu, começando por nome completo, idade, endereço e o mais que o roteiro exige que ela tire a limpo. Acabado o interrogatório, com as respostas batendo, ela me passou para o agendamento, que me ofereceu algumas datas para eu ir ao INSS provar que estou vivo.

O que causa espanto é que, quando as pessoas morrem, ao registrar o atestado de óbito, o cartório informa o INSS sobre a morte. Então não há razão prática para o segurado ter que provar que está vivo. A informação do cartório deveria ser suficiente para o INSS dar baixa.

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Mas, na prática, não é assim que funciona. Tanto faz o banco garantir que você está vivo ou você falar no telefone com a funcionária do Instituto. Não serve como prova de que você está vivo. Para chegar nos finalmentes, e provar ao vivo e em cores que você está vivo, você tem que ir de corpo e alma, com R.G. e CPF, à agência do INSS responsável por você.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.