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Cotidiano

Depois da chuva vem o sol. Depois da maré cheia vem a maré baixa. Depois da lua cheia vem a lua nova. E depois da curva tem mais estrada.

Nada de novo debaixo do sol. Apenas vida e seu ritmo. O cotidiano do universo retalhado em detalhes que te tocam, que me tocam, mas não são necessariamente os mesmos.

Depois de cada momento vem outro momento. Se depois do espanto vem a calma, depois do sono vem a necessidade de recomeçar. E a busca e a entrega.

De seguir pelo caminho, de cruzar rios, de escalar montanhas e de atravessar campinas. Depois, tem sempre outro depois, e outro.

Quem fica parado é poste. Pelo menos até um motorista bêbado se atirar contra ele. Pode mais quem chora menos, o poste cai e o motorista morre. Cena de sangue no cotidiano da cidade.

Contraponto para ele? Minha vontade de estar com você. Meu sonho onde eu sonho com você. Meu pensamento que atravessa o azul da manhã para estar em você.

Sei que sei pouca coisa, que não sei nada, que sou muito pouco para entender o mundo em volta, muito pequeno para querer abraçá-lo.

Tanto faz, o objeto do meu amor transcende o tamanho das coisas, vai além do limite do planeta, vai mais longe que o fim do mundo, se estende para as estrelas, pega carona nos cometas, se funde nas constelações, dá forma às galáxias.

Meu amor é imenso e cresce mais a cada dia.

Ele se materializa na chuva, na grama molhada, no cheiro de pão, na areia da praia, no pó da estrada, na flor que abre no canteiro maltratado, no cheiro de vida que se mistura aos outros cheiros da cidade

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.