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É hora de baixar o fogo

 

Não dá para o mundo continuar na toada que vai. É muito vapor dentro da caldeira e o instante da explosão está próximo. O grande nó é que depois de um certo momento não adianta mais baixar o fogo, o processo não é interrompível. Ele segue em frente e explode.

Explode causando danos que só serão quantificáveis depois da explosão, depois que a poeira baixar, que os mortos e feridos forem identificados, que o susto deixar as pessoas sem perguntas e sem respostas.

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O problema não é brasileiro, mas não estamos fazendo nada para colocar água na fervura, ao contrário estamos aumentando a chama colocando mais gás na sala como se fosse normal e não houvesse risco de tudo ir pelos ares.

A radicalização tem como consequência a falta de bom senso. Todos os lados se imaginam os donos da verdade, como de Deus Pai em suas formas universalmente aceitas, aparecesse para cada um e revelasse o segredo da existência do universo, o que veio antes do Big Bang, a primeira palavra, e antes dela, a primeira ideia.

Só que não é assim, Deus tem mais o que fazer. A história da humanidade é pródiga em exemplos em que Deus simplesmente não olhou para o planeta, nem se preocupou com o ser humano. Ao contrário, deixou que a besta em cada um de nós se soltasse e varresse a superfície da Terra como um furacão incandescente, queimando tudo, sem deixar pedra sobre pedra, alma sobre alma, pessoa de mão dada com outra pessoa.

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Não adianta forçar, a corda em algum momento estoura. Não é hora de ver quem pode mais, é hora de somarmos esforços para todos baixarmos a bola, olharmos para o lado, vermos nosso semelhante, sorrir e dizer bom dia. Simplesmente isso, sorrir, estender a mão e dizer bom dia.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.