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A solução é o caos

 

A melhor forma de parar São Paulo é o caos. O caos amplo, geral e irrestrito, o caos comendo solto de todos os lados, em todas as ruas, parques e avenidas.

Não um congestionamento de fim de tarde ou um caminhão de bebida parado em fila dupla na Vila Madalena. Não, isso é conversa de criança. Nós precisamos do caos com a força do momento seguinte à explosão do Big Bang.

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O caos em sua plenitude, algo próximo da competência da CET, mas mais elaborado e muitas vezes mais denso. O caos sem começo ou fim, o caos não como o professor Gofredo da Silva Telles Júnior o definia: “o caos é uma ordem que não nos convém”, mas o caos como a ordem inversa do avesso reverso daquilo que deveria estar por baixo, mas está por cima, meio de três quartos. O caos bolsonariano.

São Paulo tem que parar, mas impor a quarentena tem uma série de riscos que podem dar com os burros n’água. A cidade é muito grande, tem quebrada que ninguém entra, pedaço dominado pelo inverso do governo, o que não quer dizer que não sejam pedaços de absoluta ordem.

Tem de tudo e mais um pouco. Quem conhece sabe e quem não conhece imagina. O fato concreto é que não tem muito como impor o toque de recolher se não tiver como impor o toque de recolher.

A medida é radical e exige força, disciplina, autoridade e a certeza de que o cidadão vai cumprir a ordem. Por isso o feriado prolongado.

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Mas tem outra solução. É mais simples acabar o rodízio e reduzir a frota de ônibus, trens e metrô. Quem quiser sair vai sair de carro e, com mais carros do que ruas e menos transporte coletivo do que pessoas, não tem jeito, a cidade para. Para um dia, leva milhares de pessoas à loucura e não para mais. Afinal, ninguém é louco de enfrentar o caos duas vezes.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.