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É preciso não perder o foco

 

Em meio ao desastre global representado pela pandemia do coronavírus, as mortes de centenas de milhares de pessoas são o ponto crítico, o mais triste, o mais dramático.

Mas depois da epidemia haverá um depois e este depois não promete nada de bom para a economia do planeta. A conta do combate à covid19 vai assombrar as nações e exigir seu tributo em taxas apavorantes de mortes, desemprego, dificuldades e queda do crescimento.

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Desde o fim da Segunda Guerra Mundial o mundo se habituou ao conforto decorrente de uma era de paz e progresso jamais experimentada na história. Foram setenta anos de bem estar, desenvolvimento material, aumento da expectativa de vida e uma melhora generalizada das condições de vida da humanidade, inclusive nos países mais pobres.

Aí veio o coronavírus para trazer de volta os horrores da peste, que por trezentos anos varreu regularmente a Ásia e a Europa e se espalhou pelas Américas, assombrando o mundo até o século 19. Algumas pessoas mais velhas ainda se lembram da gripe espanhola, que ceifou cinquenta milhões de vidas no começo do século 20. Mas de 1945 em diante perdemos a memória dessas tragédias.

O coronavírus chegou para mostrar que o mais avançado de nossa tecnologia e toda nossa riqueza não são nada diante das forças naturais e que existem movimentos contra os quais não temos a menor chance.

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A América Latina vai sentir na pele o empobrecimento maciço de sua população. Até o fim deste ano, mais de cem milhões de pessoas estarão na pobreza e dezenas de milhões na miséria.

O Brasil é parte do quadro. Por isso, mais do que nunca, agora é a hora de começarmos a agir, a planejar as medidas para minimizar o que vem pela frente. Não temos o direito de cometer o mesmo erro duas vezes.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.