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O coronavírus mata, mesmo

 

Uma coisa é ouvir falar, outra é sentir na pele ou muito próximo. Todo mundo sabe que bala de revólver mata, mas só entendemos o que isso quer dizer quando alguém que conhecemos é vítima de um assalto e é baleado.

A mesma regra se aplica às doenças. Uma coisa é saber que você pode ter um infarto, outra é colocar quatro ou cinco “stents” para desobstruir as artérias ou ter que passar por hemodiálise porque os rins começam a não dar conta.

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O coronavírus não é diferente, ou melhor, é. O coronavírus é novo no pedaço, não temos muita informação sobre ele, a não ser que o Brasil fez muita coisa errada e que temos uma enorme chance de bater recorde em cima de recorde, até chegar na casa de mais de cem mil mortos.

O apavorante é que, com os números pipocando diariamente e passando os mil mortos por dia com folga, ainda tem gente que acha que é exagero da mídia e que não tem pandemia ou, se tem, não é tão ruim assim.

Tem quem continue nos pancadões da vida, dançando funk madrugada a fora. Tem quem sai de casa sem qualquer cuidado, sem máscara, como se não fosse responsável por outras pessoas serem contaminadas por ele.

Faz parte da natureza humana ter os a favor e os contra, com a imensa maioria ficando em cima do muro. Não tem o que fazer, não vamos mudar.

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A única possibilidade de milhares de brasileiros trocarem de opinião é alguém próximo morrer. E o coronavírus ajuda: mata sem compaixão ou castiga durante a doença. Falta de ar, dor no corpo, mal estar, diarreia e febre são alguns dos sintomas da doença e nenhum é gostoso.

Mas o mais cruel é que o país tem poucos leitos de UTI e a doença mata e mata rápido. Aí vem a pergunta sem resposta: até onde é justo quem não se cuida ocupar uma UTI no lugar de quem faz a lição de casa?

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.