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Falta saber se calar

 

Será que tudo o que o governo Bolsonaro faz é um desastre? A resposta é: não, ele já fez coisas importantes. Então por que leva tanta pancada da imprensa, do Congresso, do Judiciário e dos governadores?

A resposta é simples: falta bom senso, muitas vezes não para fazer, mas na forma de fazer e, principalmente, para se comunicar.

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O Presidente adora o enfrentamento, a briga de foice, tanto faz contra quem. O resultado é que, depois de tanta pancada no lombo, seu governo é visto como canastrão, como quem grita que é, mas não convence, ou é desmentido e vira piada de mau gosto, porque na outra ponta está a maioria da sociedade brasileira, que é quem paga a conta.

Pra quê uma Medida Provisória dando ao Ministro da Educação o poder de nomear os reitores das universidades federais durante a pandemia? Pra quê baixar a Portaria sem sentido – até porque não é uma portaria -, indicando a cloroquina no tratamento do coronavírus, sem ser assinada por ninguém?

Pra quê querer indicar o filho para embaixador nos Estados Unidos? Pra quê a Portaria assinada por quem não tinha poder para isso, aumentando a quantidade de munição que pode ser comprada pelo cidadão? Pra quê indicar quem não tem competência para cargos sérios?

Pra quê sair a cavalo, Esplanada dos Ministérios a fora, galopando sem máscara?

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Pra quê tanto porquê sem sentido, que não leva a nada, só desgasta a imagem e complica a vida de quem trabalha a sério, como é o caso de alguns ministros? Afinal, tem muito pra ser feito, começando por resgatar a imagem do Brasil, completamente desmoralizada ao redor do mundo.

É hora de mudar o discurso. A pandemia está comendo solta e milhares de brasileiros estão morrendo. Temos que sair desta rapidamente.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.