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Nem uma árvore é igual a outra

Nenhuma árvore é igual a outra. Cada uma tem seu jeito, seu tamanho, suas deficiências e pontos fortes. Raízes mais profundas, terra mais fértil, mais água ao longo do ano, são todos fatores que as fazem únicas, da mesma forma que os seres humanos.

Eu só não sei se na evolução da plantas surgiu algum Coronel Colt que igualou o que Deus fez diferente, como aconteceu com a espécie humana. Depois dele, a força física perdeu muito da sua eficácia, ultrapassada pela inegável capacidade de qualquer pessoa puxar um gatilho.

Pelas diferenças genéticas e de meio, algumas árvores se destacam na paisagem. São imensas, exageradas, se cobrem com milhares de flores e desafiam o mundo do alto de sua exuberância.

E as quaresmeiras são mestras na vaidade. Sem ela não haveria esta dança de desejos, o afã de se mostrar, que elas deixam claro em cada florada embelezando as esquinas.

Parece que é de propósito. Algumas delas surgem inesperadamente como uma explosão de cores, destinada a causar o máximo de espanto no mínimo de tempo.

Nem mesmo se a prefeitura se unisse a elas num acordo secreto para melhorar a imagem da cidade, nem mesmo assim, a sincronia seria tão perfeita, apenas por conta das diferenças naturais de árvore para árvore.

A natureza tem desígnios que nos são completamente incompreensíveis. Os seus por quês evidentemente não são os nossos, nem há nela qualquer intenção de fazer as coisas mais claras para nós.

Então, aproveitemos o belo, agradecendo as quaresmeiras.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.