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1932 – São Paulo perdeu a única chance

 

A Revolução de 1932, ao contrário da Guerra Civil norte-americana, não teve nenhuma grande batalha, nenhum encontro como Gettysburg, onde se decidiu a sorte da guerra. Também não teve operações de guerrilha, como em Canudos, onde os jagunços jogaram com o terreno para impedir a progressão das tropas federais.

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Em 1932, os paulistas tinham uma única chance, baseada na velocidade das tropas avançarem para o Rio de Janeiro. Quando o Coronel Euclides Figueiredo determinou a suspenção da marcha para aguardar a chegada do General Isidoro Dias Lopez e lhe entregar o comando das operações, os paulistas perderam a guerra.

Daí para frente, 1932 foi um lento movimento de esmagamento dos revolucionários pelas tropas federais, muito mais bem armadas e bem treinadas, motivadas pela eficiente propaganda de Getúlio Vargas que soube a aproveitar a imagem de São Paulo diante dos outros estados para conseguir a união nacional contra a Revolução que pretendia depô-lo.

Forças públicas de quase todos os estados marcharam para as divisas paulistas, firmemente dispostas a derrotar os revolucionários. Treinadas, acostumadas ao manejo de armas pesadas e à disciplina da tropa, não tiveram grandes dificuldades para se imporem aos voluntários mal armados e invariavelmente mal comandados que lhes faziam frente nos combates.

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Se, de um lado, aconteceram atos de heroísmo e coragem, também aconteceram, principalmente na frente sul, covardias inomináveis e deserções de comandantes que deixaram os soldados sob fogo inimigo para se bandearam para o outro lado.

Foram três meses de escaramuças, que acuaram os paulistas e que levaram o comandante da Força Pública a pedir o armistício e ordenar aos revolucionários que suspendessem a luta para evitar um mal muito maior.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.