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O SUS funciona

 

Se a pandemia trouxe, em seu bojo, além das dezenas de milhares de mortes que entristecem as pessoas de bem e a falta de comprometimento do Presidente da República com a população, também um lado positivo, representado pela solidariedade que se espalhou pela nação, unindo pessoas físicas e empresas, ricas e pobres no esforço para auxiliar a combater o coronavírus e tudo de triste e feio que a pandemia traz em si.

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Todos os dias, mais de mil brasileiros perdem a vida, vitimados pela covid19, que, implacável, converte em mortes a maioria dos casos de UTI.

Mortes que não são números de estatística, mas rostos de pessoas que deixam esta vida antes da hora, levadas por um vírus que não tem cura, mas que pode ser combatido e ter seus estragos minimizados por ações preventivas que o Brasil poderia ter colocado em ação, mas que foram desmoralizadas pelo desserviço prestado pelo Governo Federal.

Mortes que têm culpados, mas entre eles não estão SUS, nem os profissionais envolvidos na luta sem trégua contra o coronavírus.

Este é outro dado bom mostrado pela pandemia. O SUS funciona e funciona bem, só por isso os estragos não são muito maiores do que os verificados diariamente na contagem dos nossos mortos.

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Se o sistema Único de Saúde não houvesse sido relegado ao mais absoluto descaso desde a sua criação, a saúde púbica brasileira poderia ter outra cara. O que ela não tem porque políticos de todos os partidos e empresários sem escrúpulos desviam os poucos recursos da saúde para outros fins, incluídos os pouco nobres.

A pandemia mostrou que o SUS funciona e faz a sua parte, mesmo com muito menos do que seria razoável. Mais do que nunca é hora de rever as premissas para a saúde dos brasileiros, corrigir o rumo, aparelhar o SUS e deixá-lo fazer o seu trabalho.

Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.