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Pandemia é pandemia

 

Pandemia é pandemia e pandemia é pandemia. Nenhuma pandemia é igual a outra, ou melhor, a pandemia é uma só, mas a forma de lidar com ela nunca é igual, nem dentro dos países, nem entre os países.

Cada um sabe de si. A China, onde tudo começou, fechou uma cidade e o resultado parece que, entre secos e molhados, está entre os bem sucedidos. Enquanto os Estados Unidos, capitaneados pelo negacionista mor, entrou de cabeça num espiral sem fim e sem fundo, com o número de mortos assustando o planeta e servindo de exemplo para o Brasil.

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Mas não pense que o jeitinho brasileiro é cópia do norte-americano. Nada mais falso. Somos muito mais criativos do que eles. Temos uma sensibilidade única e uma competência infernal para fazer mal feito, o que nos permite arrancar todos os dias duas cartolas de cada coelho.

Na arte de fazer errado o Brasil não precisa de exemplo para abrir os caminhos. Somos praticamente imbatíveis. É por isso que quando a Suécia dá com os burros n’água todo mundo se assusta e quando nós erramos ninguém dá a menor importância.

Aliás, não é verdade. Os estudiosos de sistemas e técnicas de gestão com certeza, todos os dias, dão uma passada pelo que o Brasil está fazendo. Somos um dos mais ricos campos de prova do mundo. Por isso tantas vacinas querem fazer os testes aqui.

Para errar nós não precisamos copiar ninguém. Como disse o capitão de um veleiro brasileiro para o prático argentino que queria levar a embarcação até Buenos Aires: “onde um prático argentino passa, um capitão brasileiro também passa”. E encalhou num banco de areia.

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A pandemia do coronavírus é uma única pandemia, mas o tratamento e os resultados variam. Nós jogamos a pandemia no saco. Por isso, é como se aqui não tivesse covid, mesmo com mil pessoas morrendo diariamente.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.