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O postinho fechado

 

A pandemia abateu aviões em voo e no solo, afundou navios de todos os tamanhos, fechou milhares de empresas, destruiu milhões de empregos, comeu solta e ainda come, como se houvesse um acordo entre ela e o Diabo para ajudar a encher o inferno.

Não há nada a fazer e o quadro fica mais complicado quando o número de mortes, sem razão mais clara, começa a diminuir, apesar da turma estar na rua, sem tomar maiores cuidados, nem se preocupar com a pandemia solta e forte, matando oitocentas pessoas todos os dias.

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É triste ver a quantidade de lojas fechadas, de escritórios fechados, de conjuntos vazios, de prédios vazios. Por todos os lados, tanto faz a direção, a cena se repete deprimentemente, uma loja fechada atrás da outra, uma casa fechada ao lado da outra, milhares de pessoas sem terem onde dormir deitadas nas ruas, debaixo do Minhocão, uma ao lado do outra.

Às vezes a pancada é mais forte. O endereço fechado é velho conhecido, faz parte da nossa história e é a história de pessoas que são mais do que rostos na multidão, são amigos e conhecidos que de repente não estão lá. Perderam o emprego. O espaço vivo e dinâmico está fechado, cercado com uma corrente, escondido atrás dos tapumes.

Nunca imaginei que fosse assistir à cena. O postinho do Pacaembu fechou. Depois de décadas, o postinho do Pacaembu, um marco no bairro, pedaço da história do lugar, simplesmente está cercado com correntes, sem ninguém dentro, com as bombas paradas, sem movimento de carros.

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Não sei porque o Postinho fechou. Eu o frequentei desde meus 15 anos, quando comecei a dirigir e podia ir até lá, abastecer os carros de casa. E o hábito ficou. Durante décadas, até o começo da pandemia, era onde abastecia meu carro, todas as segundas-feiras de manhã. Dizem que a vida é assim. Pode ser, mas o bairro sem o Postinho está mais triste.

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Crônicas da Cidade vai ao ar de segunda a sexta na Rádio Eldorado às 5h55, 9h30 e 20h.

Antonio Penteado Mendonça

Advogado, formado pela Faculdade de Direito Largo São Francisco, com pós-graduação na Alemanha e na Fundação Getulio Vargas (FGV). É provedor (presidente) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ex-presidente e atual 1º secretário da Academia Paulista de Letras, professor da FIA-FEA e do GV-PEC, palestrante, assessor e consultor em seguros.